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sábado, 6 de maio de 2017

PRIMEIRA ELEGIA


A poesia é uma velha amiga que mora muito longe
de mim.
De vez em quando fazemos contato,
trocamos mensagens breves,
marcamos encontros que nunca acontecem.
A vida é difícil,
estamos cansadas,
não há tempo.
Mas quando ela sabe que estou em desespero
como hoje
Se ela apenas desconfia do meu desespero
cruza os céus e os oceanos
me atravessa correndo em meu auxílio.
Entra sem bater
(ela tem a chave)
e come comigo em silêncio.
Vigilante me observa na madrugada insone
(ela nunca dorme)
Se move pela casa como se habitasse aqui
dentro
há muito tempo
(ela sabe exatamente onde guardo as coisas)
Lava meus pés doloridos
sem fazer perguntas.
Ela não tem pressa.
Ela só vem
cuida de mim
e passa.
(A vida é difícil,
estamos cansadas,
não há mais tempo.)

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