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terça-feira, 16 de abril de 2013

O que você já não é



E de repente você olha a ponte
mas o que você vê já não é mais a ponte:
vê a indiferença de quem anda sobre a ponte
vê a necessidade de quem vive sob a ponte
vê o suor na testa de quem construiu a ponte.

E de repente você come o pão
e o que você mastiga já não é o pão:
mastiga a anemia de quem colhe todo o trigo
mastiga a mão ferida que queima e arde no forno
mastiga a dor maldita da fome do teu irmão.

E de repente você lê palavras
e o que você entende já não são palavras:
entende as mentiras que se escondem nos seus livros
entende as torturas que não cabem nos jornais
entende as perguntas arrancadas da sua boca.

E de repente você pensa em Deus
e o que você procura já não é mais Deus:
procura sofrimento e culpa só pra quem merece
procura um paraíso que aconteça desde agora
procura a salvação em quem precisa se salvar.

E de repente você vê um homem
e o que você enxerga já não é um homem:
enxerga a liberdade destruída na labuta
enxerga a força que vem renascida a cada luta
enxerga o amor crescer na sua força bruta
e a esperança que ainda pulsa, ainda pulsa.

E de repente você vê o espelho
e o que você enxerga já não é você:
percebe toda a história que renasce no teu rosto
escuta em teus ouvidos o lamento de um irmão
entoa uma canção que já escapa dos teus lábios
retira dos teus olhos a visão do que virá
revolve nos teus pés os passos da longa jornada
e cerra as tuas mãos, abre teu peito e range os dentes
sustenta aquela força de quem vai daqui pra frente
 pra sempre ter que crer e segurar o amanhã
até chegar enfim nossa vermelha Alvorada.






2 comentários:

  1. MARAVILHOSO, como tudo que você escreve. Orgulho, muito orgulho... e amor.

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  2. Encantada, Isabela, com teu blog!!!!Obrigada pelo convite!!!!!

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