xxxxxxx

xxxxxxx

terça-feira, 16 de abril de 2013

Mal Menor




Mas o que o menino merece?
O menor. Aquele sinal de menos, aquele fora de prumo que perambula tão próximo.
O que merece o menor, o menos, o zero à esquerda de deus pai?
Merece pai?, merece pão?, merece ser peão?, ser campeão?
O que o menino merece?
Dois anos a menos, dois anos a mais, tanto faz, nunca mais?
O que o menino merece?
O menino da desmemória, na ladeira. O que te desmerece. O que ele merece?
O que esmorece de fomes e dores na guia. Merece alegria?, da mais barata?, vapor barato?
Merece um trato ou dormir com os ratos, ao relento?
Merece o vento no cabelo ralo?
ou merece descer pelo ralo?
o menino franzino da borda do mundo que acorda imundo no meio da sua tranquila madrugada.

Merece morada?, namorada?, moradia?,
mordida ou lambida de bicho, o menino?
Merece entrar mais cedo no inferno?
merece um terno cortado? um pescoço cortado?
um corte?, uma morte?, um trote a galope?

Já está estragado, o menino?
Já é podre maçã?, pobre maçã?, febre malsã no teu corpo exposto nas ruas?
Não merece moças nuas, sumo de fruta, duas luas?
A podre maçã, pobre maçã, o menino malsão que apodrece vai contaminar os outros meninos da caixa, da cesta, da sexta-feira?
Será que você vai morder essa fruta bichada, e acabar sozinho no meio do nada, tremendo de medo na calçada
igual o menino faz em
toda
madrugada, será?

O que o menino merece?
O que aquele menino merece?
E o teu menino, o que merece?
Merece ser menino?
Ou cada vez mais cedo,
calado,
logo merece ser gerido e gerado entre grades e correntes umbilicais,
no caos,
 caindo no abismo do noticiário diário?
Não merece um canário?, um algodão doce?, uma chance?,
o que ele disse que merece?

E você, que já foi menino?
E o teu menino
o que merece?


Um comentário: