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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sonhos

Quando ela era menina tinha os mesmos sonhos repetidas vezes. Sonhava às vezes que havia uma escada em espiral, e que ela descia cada vez mais rápido, até ser tão rápido que ela não conseguia mais parar, e ficava lá girando e descendo a escada sem tocar os pés nos degraus, e a escada não terminava nunca, não terminava nunca. Houve também o sonho dos homens que lhe acordavam com uma arma engatilhando-se. Atiravam e ela morria. Então a acordavam mais uma vez com o barulho de uma arma engatilhando-se, ela olhava assustada, atiravam e ela morria. Então a acordavam mais uma vez com a arma engatilhando-se. E assim o resto da noite.

Um dos sonhos ela teve por mais de dez dias, seguidamente. Ela voltava da escola, segurando os cadernos contra o peito. Apertava a campainha de casa. Quem atendia era uma mulher estranha, olhando-a com desconfiança. Quem é você?, a mulher perguntava. Oi, será que você pode chamar minha mãe? Mas a mãe dela não existia, aquela não era sua casa, e não havia mais nenhuma casa conhecida ao redor. Resolvia voltar à escola para tentar compreender o que houve de errado com seu percurso, mas não havia mais escola, havia apenas umas ruínas cinzentas. E ela não conhecia ninguém, e nem lugar nenhum, e ficava assim, parada com os cadernos contra o peito, o choro engasgado, sem saber aonde ir.

Um comentário:

  1. Ler você dá cócegas. Beber o café e sentir mesmo é o calorzin nas mãos. O aroma sobe nos olhos, de amargo o doce vem.

    Bom dia pr'ôce também.

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